Entre o Anarco-dimensionalismo e o Metahumanismo

Por George Cornelius Agrippa Soros. Disponível em PDF.

Introdução

O Metahumanismo, como filosofia, acredita que o indivíduo (uma criatura racional) tem como essência justamente sua razão. Assim, os metahumanistas entendem que o caminho do ser é, naturalmente, o da razão pura para, desta maneira, se aproximar da sua essência primeira.[1]Em outras palavras, eles cultuam a razão.

O objetivo metahumanista parece, realmente, tão transcendente quanto o dever anarco-dimensionalista. De qualquer forma, deixemos as implicações filosóficas do Metahumanismo para outro momento e partamos para a relação entre este e o Anarco-dimensionalismo.

A outra dimensão

Assimilado o conceito do Anarco-dimensionalismo,[2] é preciso entender que, a princípio, as finalidades das duas filosofias são distintas: enquanto o Metahumanismo tem como pretensão a mais pura razão – se livrando das inclinações corpóreas do ser –, o anarco-dimensionalismo tem como finalidade a dimensão livre de conflitos,[3] em que todos os fins (no sentido praxeológico) sejam atingidos.

Apesar da diferença objetiva, os meios para tais propósitos, em ambas filosofias, são, no mínimo, semelhantes. O Metahumanismo, ao buscar a razão como essência, também se propõe a se livrar das interferências do corpo à razão, como as necessidades fisiológicas, o instinto e a ilusão sensorial. Dessa forma, eles rejeitam o corpo como matéria, mas ainda demandam a ação sensorial deste – em sua perfeição, é claro. Fica evidente, portanto, que o único meio para tal é também a busca de uma dimensão além das atuais para a possibilidade de um metacorpo, perfeito em todas suas extensões.

Movido pela problemática dos conflitos na dimensão escassa, os anarco-dimensionalistas buscam, da mesma forma, uma outra dimensão, seja ela virtual ou mesmo existente. Esse dever é demonstrado através de axiomas autoevidentes, desde a realidade escassa, a ação humana e a ação comunicativa.[2] Os meios das duas filosofias na objetivação dos seus respectivos propósitos, assim, se convergem na busca de uma outra realidade dimensional.

Apesar do ponto em comum, irei ainda além no próximo item. Demonstrarei o porquê de um metahumanista coerente ser, necessariamente, também um anarco-dimensionalista em seus fins.

A razão como causa

O metahumanista segue a razão, de certa forma, pela crença dessa como natural (no sentido ontológico) do indivíduo. Evidentemente, tal dever não passaria de uma falácia naturalista se não fosse meramente uma posição moral do metahumanista, pois não se deriva uma norma [“o metahumanismo deve ser seguido”] de um fato [“a razão é a essência humana”].[4] O anarco-dimensionalista pragmático contorna isso (por se colocar acima de uma moral) e segue a razão por motivos justificáveis: agir conforme a razão é um dever pragmático-transcendental; a tentativa da negação de tal dever evidencia uma contradição performativa, porque o indivíduo, ao tentar justificar sua posição, estará agindo justamente conforme a razão.

O Anarco-dimensionalismo, ao ser deduzido através de axiomas autoevidentes (incluindo a própria Grundnorm de se seguir a razão),[5] é inegável e irrefutável. Todo indivíduo deve ter como objetivo a busca da ausência de conflitos[3] enquanto fins (entre indivíduos) ainda são alcançados – sendo isso possível somente através de uma dimensão livre de escassez. É inegável e irrefutável, porque a negação dessa proposição transcendental resulta em uma contradição performativa da ação comunicativa e demonstra o contrário, como já foi explicado anteriormente em outros artigos anarco-dimensionalistas.

É evidente, portanto, que todos indivíduos devam seguir o fim transcendente do anarco-dimensionalismo e isso inclui também os metahumanistas. Ademais, apenas a ignorância pode ser perdoada perante a negação desse disso; qualquer um que deseje a coerência (e não a contradição) deve, inevitavelmente, ser um anarco-dimensionalista.

Conclusão

Dessa forma, conclui-se que o Anarco-dimensionalismo tem como aproveitar enormemente os meios propostos pelo Metahumanismo, assim como de outros movimentos, tal qual o transhumanismo.

Apesar disso, veja que o proposto aqui não é o fusionismo, mas sim apenas reciclar esforços já feitos em prol do movimento. Se trata, além disso, do aprendizado mútuo. Assim como o Anarco-dimensionalismo pode recorrer aos meios já desenvolvidos do Metahumanismo, os metahumanistas também devem buscar a coerência racional dos anarco-dimensionalistas. Portanto, aqui os movimentos encontram um ponto de convergência benéfico a ambos.

Notas

[1] Leia mais em VAL, Jaime; SORGNER, Stefan. A Metahumanist Manifesto. Disponível em inglês em <http://metabody.eu/metahumanism>. Acesso em 8 jan. 2019.

[2] Leia mais em EVILCORP. O que é o Anarco Dimensionalismo? Disponível em <http://www.anarcodimensionalismo.tk/artigo/o-que-e-o-anarco-dimensionalismo-1>. Acesso em 8 jan. 2019; AGRIPPA, George. Uma adição ao anarco-dimensionalismo. Disponível em <http://www.anarcodimensionalismo.tk/artigo/uma-adicao-ao-anarco-dimensionalismo-2>. Acesso em 8 jan. 2019.

[3] A definição de conflito aqui utilizada é da impossibilidade física da utilização de um recurso escasso por dois ou mais indivíduos com fins excludentes ao mesmo tempo. É importante ressaltar que o aspecto pragmático-transcendental do dever dimensional se baseia justamente no fato de que conflitos não são argumentativamente justificáveis, dado que toda ação comunicativa é necessariamente livre deles. A negação disso evidenciaria uma contradição performativa e demonstraria o contrário.

[4] HUME, David. Tratado da Natureza Humana (São Paulo, UNESP: Imprensa Oficial do Estado, 2000), p. 509

[5] “Grundnorm” foi o termo do filósofo jurídico Hans Kelsen para a norma básica hipotética ou regra que serve como base ou fonte última para a legitimidade de um sistema legal. Leia mais em KELSEN, Hans. Teoria Geral do Direito e do Estado; KINSELLA, Stephan. The Division of Labor as the Source of Grundnorms and Rights. Disponível em inglês em <https://mises.org/wire/division-labor-source-grundnorms-and-rights>. Acesso em 8 jan. 2019.

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